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Julio Cesar
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Publicado em 13/11/2017 às 00:48:00
Ex-funcionários de fábrica de amianto de Londrina e parentes de trabalhadores já falecidos vão à justiça cobrar indenizações
Um grupo de cerca de 200 ex-empregados da Infibra, que atuava em Londrina e usou o produto durante anos, se reuniu no sábado. Especialista no tema diz que empresa não cumpriu com uma série de obrigações legais e deixou um legado de doentes e viúvas para a

A assembleia foi realizada no sábado no Salão Paroquial São José Operário, no Jardim Leonor.  Os trabalhadores expostos ao produto e familiares de quem já faleceu vão cobrar na Justiça indenizações pelas doenças e mortes resultantes do contato com o produto.

A ação civil pública é organizada por ex-funcionários e parentes dos trabalhadores da antiga fábrica da Infibra em Londrina, que fechou as portas em 2003.

O amianto foi proibido em quase todo o mundo e é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como um produto cancerígeno, além de outras doenças respiratórias graves. Fernanda Gianazi é uma das especialistas mais respeitadas do país no tema. Colaboradora da Abrea, a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto, ela diz que cerca de 200 funcionários da empresa já fizeram exames. Segundo Gianazi, a fábrica não cumpriu com dispositivos da legislação trabalhista e deixou um legado de doentes e viúvas para a cidade.

Segundo a especialista, a assembleia de sábado teve como objetivo orientar familiares e vítimas do amianto sobre os direitos deles. Gianazi diz que a empresa, mesmo fechada, é obrigada a dar atenção à saúde dos ex-trabalhadores expostos ao produto e uma indenização aos doentes já diagnosticados. A especialista explica que o amianto é reconhecidamente cancerígeno é proibido em diversos países. De acordo com Fernanda Gianasi, as doenças causadas pelo amianto, entre elas diversos tipos de câncer, podem se manifestar em até 50 anos após o primeiro contato com o produto.

De acordo com a Associação, pelo menos uma vítima do mesotelioma maligno de pleura,um tipo de câncer causado pelo produto, já foi identificada entre os ex-funcionários da Infibra que passaram por exames no Hospital do Câncer de Londrina. A Abrea foi fundada em Osasco há 22 anos e está organizada em seis estados do país.  

Em agosto desse ano, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei que permite o uso do amianto é inconstitucional. Mas, a decisão não significou a proibição da comercialização do produto em todo o país. O impasse só deve ser resolvido depois de novos julgamentos sobre o caso, que ainda não têm data marcada. A derrubada da lei provocou um vácuo jurídico e o uso do amianto ficou proibido apenas nos estados onde a substância já é vetada. O uso continua permitido onde não há lei específica sobre o caso, como no Paraná. A expectativa é que o Paraná e outros estados criem uma lei para suspender o comércio desse material.

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